Em busca de evidenciar as necessidades de infraestrutura rodoviária da região e subsidiar articulações com as esferas federal e estadual para sua concretização, o Conselho Regional de Desenvolvimento da Serra (Corede Serra) deu início, neste mês, a uma pesquisa inédita sobre a malha viária dos 32 municípios abrangidos pela entidade. A iniciativa pretende reunir informações que permitam estruturar uma carteira de projetos prioritários, com os deputados federais e estaduais eleitos pela região atuando na busca por recursos e encaminhamentos, juntamente com a Associação dos Municípios da Encosta Superior do Nordeste (Amesne) e outras entidades que articulam ações macrorregionais.
O Plano Regional de Infraestrutura Rodoviária do Corede Serra, assim, objetiva identificar necessidades nas estradas regionais, municipais e intermunicipais para, posteriormente, viabilizar melhorias. “A infraestrutura rodoviária é fundamental para o desenvolvimento da Serra, pois impacta diretamente na competitividade das empresas sediadas aqui, uma região com um forte setor produtivo e turístico. Com esse levantamento, estamos construindo um passo importante para planejar o futuro da Serra de forma integrada, atendendo às necessidades dos municípios”, pondera a presidente do Corede Serra, Monica Mattia.
A devolutiva dos questionários tem prazo final marcado para o dia 26 de outubro. A partir de então, o Corede Serra trabalhará com os dados para consolidar as informações e dar início a uma nova etapa do projeto. Em dezembro, em data ainda a ser definida, o órgão promoverá um encontro com todos os prefeitos para classificar as demandas. A orientação para isso partirá de critérios técnicos levando em conta mobilidade, logística, segurança viária, desenvolvimento econômico e integração territorial. Na sequência, o Corede Serra tornará públicos os resultados à sociedade, entregando uma cópia aos prefeitos e deputados, além de demais entidades regionais. Os vice-presidentes do órgão liderarão os encaminhamentos do Plano Regional, em articulação com os municípios e todos os atores envolvidos no projeto.
Em 2024, após os eventos climáticos extremos de maio, diversas estradas da região foram severamente danificadas. Um dos principais pontos críticos foi a BR-470, entre Bento Gonçalves e Veranópolis. Ao longo das obras na estrada, principal artéria de ligação entre o Norte e o Sul da região, o tráfego se direcionou para diversas rodovias, que acabaram absorvendo uma carga maior daquela inicialmente planejada. Assim, várias estradas precisam de melhorias. Atualmente, algumas importantes obras estão em curso na Serra, especialmente nos trechos concedidos à concessionário Caminhos da Serra Gaúcha (CSG). Entre elas estão as obras de duplicação da RSC-453, entre Garibaldi e Farroupilha, e da ERS-122, no contorno norte de Caxias do Sul. Ao todo, serão aplicados mais de R$ 610 milhões em investimentos. Conforme a CSG, esses trechos recebem um trânsito somado de mais de 36 mil veículos por dia. Já o DAER dispõe de apenas R$ 150 milhões de orçamento próprio para atender à malha rodoviária de todo o Rio Grande do Sul, valor insuficiente para suprir as demandas de infraestrutura do Estado. Por outro lado, os investimentos com recursos do governo federal, destinados à recuperação dos danos provocados pelas enchentes de 2024, vêm possibilitando a reestruturação de diversas conexões rodoviárias e contribuindo para a elaboração de um novo mapa regional de demandas.
As condições logísticas, no entanto, não são um problema exclusivo da Serra. Em 2025, a pesquisa de rodovias da Confederação Nacional do Transporte no Rio Grande do Sul mostrou que mais de 74% da malha estadual e federal foi classificada como regular, ruim ou péssima. As condições das estradas, conforme o mesmo estudo, elevam em aproximadamente 37% o custo operacional do transporte rodoviário de cargas.